exclamação!
a não ser que ele houvesse. fitadas todas as imaginárias, pôde-se finalmente capturar o sentido de tudo. de andar e andar e perceber nas epifanias diárias o grande encontro que marcará a vida. não se pode esperar a vida toda pelo algo mágico, pelo algo fantástico, pelo coiso que arrebatará todas as tristezas e tudo converterá em todo. o algo mágico é hoje, é agora, é aqui mesmo, é neste piscar de olhos e no seguinte e no seguinte e em todas as sístoles e diástoles, e em todas as expirações e inspirações e pirações — é exatamente esta a vida que se vive e nenhuma outra que virá para resgatar do limbo porque não existe limbo a não ser imaginário. e antes que fosse possível, teria sido inútil. espasmos, sarrafos, catástrofes. é de tudo e é de nada este mundo. é de todo novo este medo, esta trava nas pernas, não se anda em hipóteses, não se torna a pretéritos. não se vai a não ser que se queira ou então forçado, ou então azarado. ou então escutadas as conversas alheias e aí captam-se frases aleatórias: foi ataque do peito, é cincão mais o passe, fracassado e ainda doente, e se todos os chineses?, tãnãnãnãnã tocou um celular. os chips da elma servem em celulares claro? ouvir estrelas! certo. molho é uma ótima palavra. bauxita idem. idem também. coleção. é de colecionar olhares que eu vivo. e eu lembro o exato movimento dos seus olhos de dentro do palio branco e eu sei: você precisa de um passeio comigo na feira da lua, dois pastel, um churros, meus milhares de olhares em você: rindo, em você: falando, em você: que veste calça jeans e camiseta amarela. você precisa de um passeio na warta, tortas alemãs, as minhas tontas situações olhando para você: você aí, de olhos verdes. você precisa de cinema, abraço, beijo, carinho, uma atenção na forma de poesia improvisada! uma exclamação também. eis pois a minha exclamação para você.
Publicado em 11 de dezembro de 2004 às 03:24 por zero