cachorro molhado

Reproduzindo frases alheias

Marlene Bérgamo - Folha ImagemA cadeira está vazia. Foto: Marlene Bergamo / Folha Imagem 

— Se são todos iguais, Lula é igual a Maluf e Fernando Collor. Exagero? Ouça-se Maluf: 'Tenho plena consciência de que o presidente Lula é um homem limpo e correto'. E Lula: 'Collor poderá, se quiser, fazer um trabalho excepcional no Senado'. (Elio Gaspari, jornalista.)

— O rol de escândalos do governo Lula se distingue do rol de escândalos de outros governos pela originalidade dos meios usados e o amadorismo dos seus principais protagonistas. Ou não há originalidade em esconder dólares em cuecas? E não é obra de amador pagar suborno a deputados por meio de ordem bancária? Na história política recente do país, poucos escândalos atraíram tantas testemunhas e deixaram tantos rastros como o que provocou a derrocada do ministro mais poderoso do governo (Antonio Palocci). Ele tentou mobilizar todo o aparelho do Estado para esmagar o caseiro. A rapidez com que os escândalos se sucedem produz o efeito perverso de entorpecer as pessoas. Elas parecem ter perdido de vez a capacidade de se indignar. Pior: parecem resignadas com o que acontece. Não se movem. Apenas assistem. Se antes elegeram Lula por julgá-lo diferente dos demais políticos, agora poderão reelegê-lo por achar que os demais políticos não são diferentes dele. (Ricardo Noblat, jornalista.)

—  Em setembro de 2002, Lula, candidato, deu entrevista a colunistas do Globo. Sobre segurança, criticou FH, que, em oito anos, só tinha se reunido duas vezes com os governadores para tratar da dívida dos estados, e nunca para discutir temas como a violência. "Temos de lidar com uma coisa mais grave, o narcotráfico e o crime organizado. O governo federal tem de ser o coordenador, para unificar uma ação da polícia." Só que... Eleito, o presidente Lula não ouviu o candidato Lula. (Ancelmo Gois, jornalista.)

—  Em 22 de fevereiro do ano passado, do alto de um palanque eleitoral (afinal, Lula diz que faz campanha nos 365 dias do ano) montado na cidade de Campo Grande (MS), o presidente da República apontou para o aliado José Orcírio Miranda dos Santos, o governador Zeca do PT, e disparou: "Neste ano [2005], Zeca, vamos crescer outra vez 5% ou mais. Todas as teorias que você vir escritas, ‘vai crescer 3%’, ‘vai crescer 3,5%’, pode ficar certo, escuta o que eu estou lhe dizendo: nós vamos crescer mais de 5% neste ano. E vamos gerar mais empregos, outra vez!”. Pois é, o PIB cresceu 2,3% (em 2005). O PIB per capita cresceu a mísera porcentagem de 0,8%. De onde Lula tirou a certeza apregoada diante do companheiro Zeca, na solenidade de lançamento do pólo minero-siderúrgico de Corumbá? De lugar nenhum. Tratava-se, apenas, de mais um comício, daqueles onde Lula diz o que quer e como quer. (Do leitor que se assina "Borduna", em comentário no blog do Noblat.)

— Até aqui (julho de 2006), em 40 meses de governo, o presidente Lula já cometeu 102 viagens ao mundo. Ou mais de duas por mês, tal como semana sim, semana não. Sem contar, ora pois, as até aqui, 283 viagens pelo Brasil. Hoje, dia 15 (de julho de 2006), ele completa 382 dias fora do país desde a posse. E pelo Brasil, no mesmo período, 602 dias fora de Brasília. Total da itinerância presidencial, caso único no mundo e na História: exatos 984 dias fora do Palácio, em exatos 1.201 dias de presidência. Equivale a 81,9% do seu mandato fora do seu gabinete. Esta é a defesa da tese de que ele não sabia e nem sabe de nada do que acontece no Palácio do Planalto. Governar ou despachar, nem pensar. A ordem é circular. (Joelmir Beting, jornalista.)

— Na era tucana, os 1.408 bancos brasileiros lucraram R$ 5,7 bi por semestre, em média. É muita grana. Mas, com Lula lá, a média semestral pulou para R$ 18,5 bi. Ou seja: 3,2 vezes mais.(Ancelmo Gois, jornalista.)

— Será que a gente é que é diferente ou será que os outros são tão iguais? Se honestidade é marca da gente, ser diferente é bom até demais. (Velho jingle do PT nos anos 90.)

— Eu não sabia. Fui traído. (Lula, presidente corno.)

Publicado em 06 de outubro de 2006 às 00:17 por zero

Comentários

    • Minha certeza é: ser da situação é muito mais difícil do que ser da oposição. E Lula presidente é contestado pelo Lula pré-presidência. Deveria ser uma lição de humildade. Mas não tem sido exatamente isto o que vimos. O que anda me irritando é justamente esta arrogância insistente.
    • por Franklin
    • 06.Out.2006 às 10:41 - Permalink - Reportar
    Franklin
    • -- Estou à esquerda de Lula. (Alckmin, tentando se livrar do seu maior pecado)
    • por flipper
    • 06.Out.2006 às 10:47 - Permalink - Reportar
    flipper
    • -- os dois hífens não se transformam mais em travessão. (zero, criticando as reformas capengas do tipos.)
    • por zero
    • 06.Out.2006 às 10:49 - Permalink - Reportar
    zero
    • -- anotamos tudo, de verdade. obrigado. (flipper, sempre humilde, solícito e atento às necessidades da população carente)
    • por flipper
    • 06.Out.2006 às 10:55 - Permalink - Reportar
    flipper
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